Cristão Bonzinho – nunca mais!

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Paul Coughlin, autor, âncora cristão de um programa de rádio de entrevistas, casado e pai de três filhos, descreve a si mesmo como um “ex-cristão bonzinho”. Criado num lar abusivo, que lhe deu uma imagem deturpada de um Jesus fraco e sem fibra, Paul, 39, fez uma avaliação de sua vida há seis anos e percebeu que era um homem frustrado. “Quando eu trouxe a passividade gerada pelo medo na minha juventude para o meu casamento, junto com o falso ideal do Meigo Jesus, deu curto-circuito”, explica Paul. “Sustentar a minha família era difícil porque eu não era páreo para os companheiros de trabalho e os chefes que sabiam que podiam facilmente me dominar. Meu temor era transmitir esse vazio emocional para os meus filhos.”

Depois de constatar que esse fator de passividade estava emperrando inúmeras outras famílias, Paul iniciou uma ação que chama de “Revolução do Sr.Bonzinho Nunca Mais”, que é uma guerra contra a vida apática, usando ferramentas no seu website www.ChristianNiceGuy.com e o livro que escreveu No More Christian Nice Guy (Cristão Bonzinho Nunca Mais).

A seguir, uma entrevista com Paul Coughlin:

 Então, o que há de errado em ser um sujeito bonzinho?

Se bonzinho significa ser gentil e paciente, então não há nada de errado. Esses atributos são frutos do Espírito. Mas, geralmente, quando alguém é descrito como um “sujeito bonzinho”, ele não é bem o que parece. Homens bonzinhos normalmente são passivos; escondem-se por trás de sua “bondade”. Pensam assim: Se eu me encolher bastante, minhas dificuldades serão menores. São do tipo “Maria-vai-com-as-outras” – não porque sempre concordem, mas porque temem os conflitos.

Mas como seguidores de Cristo devemos ser sinceros uns com os outros. Devemos ser sal e luz para aqueles que não conhecem Jesus (Mt 5.13-16). É difícil ser sal e luz quando achamos que precisamos ser agradáveis o tempo todo.

Se ser bonzinho é ruim, qual a alternativa melhor?

Ser um sujeito autêntico. Um sujeito autêntico é alguém disposto a enfrentar conflito a fim de ser uma força redentora para o bem. Ele tem força de vontade. Às vezes, arrisca. Ele protege aqueles que estão sob seu cuidado. Ele toma posição clara a fim de confrontar a injustiça. Enquanto o sujeito bonzinho é desprovido de emoção, o sujeito autêntico é um apaixonado pela vida. O seu modo de vida se parece muito mais com a “vida abundante” de que Jesus fala em João 10.10.

De onde veio esse fenômeno do Cristão Bonzinho?

Em grande parte da imagem distorcida que temos de Jesus. Ao contrário da ficção comum que muitas igrejas promovem do “Jesus gentil, manso e suave”, nosso Senhor tinha qualidades impressionantes tanto de compaixão como de determinação. Para pegar alguns exemplos só do evangelho de Marcos, podemos ver Jesus confrontando pessoas, curando pessoas, gritando e falando duro com elas. Temos a noção de que Jesus era infinitamente paciente, contudo ele se voltou para os seus discípulos, claramente exasperado, e disse: “Ó geração incrédula e perversa… até quando vos sofrerei?” (Mt 17.17).

Ver como Jesus se comportava – perceber que era mais apaixonado, mais determinado, com mais força de vontade do que aqueles que estavam ao seu redor – deve encorajar os seus seguidores a se despertarem de sua passividade.

 Quando você percebeu que era por demais passivo?

Não foi uma experiência única e, sim, uma série de acontecimentos que me deram a pista. Um foi quando estudava o Evangelho de Marcos e percebi que a par dos seus maravilhosos atos de amor, Jesus também tomava umas atitudes realmente confrontadoras. Compreendi que se eu queria ser como Jesus, precisava me conformar ao verdadeiro Jesus.

Também observei os meus amigos homens que pareciam ser mais honestos com as suas emoções. Eram capazes de chorar, enquanto eu simplesmente não conseguia. Não demonstrei emoção nem quando nasceram os meus filhos. Um dos versículos mais curtos da Bíblia é também um dos mais profundos: “Jesus chorou” (Jo 11.35). Como seguidores de Cristo, deveríamos ser as pessoas mais vivas (sensíveis e vibrantes) do mundo. Mas eu não era, e sabia muito bem disso. Pior ainda, receava estar instilando nas minhas crianças essa mesma falta de emoção.

Procurei uma conselheira para me ajudar a lidar com o abuso físico e emocional que sofri da minha mãe, e que me afetou profundamente no meu desejo de viver encolhido, sem ser notado. É comum para o Sujeito Bonzinho ter algum tipo de disfunção que vem da criação e que estimula a passividade. Minha conselheira me ajudou a ver o que o medo e a passividade estavam fazendo com a minha vida emocional, e a enfrentar a minha ansiedade.

De que forma a sua passividade afetou o seu casamento?

Minha esposa, Sandy, expressava profunda afeição por mim, e eu pensava: Ó, isso é ótimo; ao mesmo tempo, as emoções profundas me assustavam. Às vezes, eu tentava mostrar timidamente meu afeto ou meus desejos, mas o fato de ela não perceber as minhas deixas me deixava zangado ou amuado. Eu não sentia segurança para ser honesto com os meus desejos e desapontamentos. Como resultado, minha esposa vivia pisando em ovos.

Deliberadamente, eu evitava contato social porque um contexto de grupo me dava desconforto. Com o tempo, isso frustrava a minha esposa. Sujeitos bonzinhos geralmente se casam com mulheres comunicativas, vivazes. Minha esposa, Sandy, tinha plenas condições de dar um curso em afirmação e determinação. Embora inicialmente ela tivesse gostado do meu jeito engraçado e tranqüilo, depois de três meses de casamento, as nossas qualidades opostas criaram grandes problemas. Isso acontece muito com os Sujeitos Bonzinhos.

De que maneira a sua passividade afetou a sua vida espiritual?

Eu pensava que Deus estava sempre prestes a me castigar. Como muitos Cristãos Bonzinhos, eu pensava que podia conquistá-lo com “bom” comportamento. Eu sabia a respeito do amor e da graça de Deus, mas o temor não me permitia experimentá-los plenamente.

A passividade também me levou a alguns pecados específicos, tais como meias-verdades, manipulação, ressentimento e amargura. Cristãos Bonzinhos enfrentam mais problemas com amargura e ressentimento porque costumam deixar que os outros pisem neles.

Como deve agir uma mulher que é casada com um Sujeito Bonzinho?

Deve dizer para ele como se sente quando a passividade dele a afeta. Por exemplo, quando um profissional cobra um preço excessivo para fazer um serviço em sua casa e o seu marido não quer pegar o telefone e confrontá-lo, você provavelmente não se sente protegida e segura. Seja honesta a respeito disso. Mas durante o processo, evite envergonhar o seu marido ou diminuí-lo. Isso o afundará mais ainda.

Tente ajudá-lo a ver o que o medo está fazendo na vida dele, e encoraje-o a buscar ajuda de um conselheiro, se necessário. Uma vez que o medo esteja fora do controle de sua vida, o seu marido se tornará uma nova pessoa. A sua personalidade verdadeira finalmente virá à tona.

Quem sabe, pode sugerir que estudem juntos o Evangelho de Marcos ou a vida de Jesus, tomando o cuidado especial de observar todos os atributos de Jesus. Isto vai ajudar vocês dois a se tornarem mais semelhantes a ele.

O que mudou na sua vida agora que se tornou um Sujeito Autêntico?

Eu sou mais proativo, tenho mais iniciativa própria. Não estou mais tão propenso a ser engolido pela agenda de outras pessoas como antes. Agora eu sigo a direção de Deus para a minha vida ao invés de me preocupar em agradar aos outros.

Sou mais protetor, também. Recentemente um garoto ficou amolando minha filha enquanto voltava da escola para casa. Então fui ao encontro deles no dia seguinte, pus o meu braço nos ombros dele, e disse-lhe: “Oi, sou o pai da Abby. Prazer em conhecê-lo. Agora preste atenção. Minha filha diz que você andou perturbando-a. Quando você perturba a Abby, está perturbando a mim. Por isso eu quero que você pare com isso. A partir de agora”. Ele deixou minha filha em paz depois daquele dia. Eu jamais teria sonhado em fazer uma coisa dessas anteriormente. Agora meus filhos estão mais seguros.

Minha esposa sabe que agora está convivendo com um líder imperfeito, mas que não precisa mais me tratar com luvas de pelica todo o tempo. Ela sabe que não vou mais ser tão frágil como antes. Ela está mais feliz e à vontade.

Jesus demonstrou amor quando convidou as crianças para estarem com ele – mas também quando expulsou os cambistas do templo. Já que Jesus deu o modelo para os dois tipos de amor – terno e duro – isso me dá, como homem e como seguidor de Cristo, a liberdade de fazer o mesmo.

Como podem os pais evitar que seus filhos se tornem Sujeitos Bonzinhos?

Meninos passivos temem tomar suas próprias posições ou discordar dos seus pares. Por isso, uma das melhores coisas que um pai ou uma mãe pode fazer é permitir que o seu filho tenha opinião – mesmo que seja errada a princípio. Não estou dizendo para deixar sem correção as idéias más ou pecaminosas. Mas faça isso de tal maneira que o seu filho saiba que ter uma opinião não é mau. Se não lhe for permitido expressar as suas opiniões quando é jovem, suas chances de afirmá-las quando for mais velho serão menores ainda.

Sem envergonhar ou diminuir o seu filho, mostre-lhe como as suas atitudes e seus comportamentos passivos estão afetando a vida dele. Ajude-o a se entender com os seus temores, o motivador que causa a passividade. Trate com um medo específico e, então, duas semanas mais tarde, fale sobre o fato de que esse medo não chegou a se concretizar. Mostre também que se aquilo que temia viesse a acontecer, não seria o fim do mundo. Fale a respeito de como pode lidar com a situação.

Existe uma mulher cristã passiva?

Sim. Infelizmente o medo e a passividade são agentes destruidores que operam de modo igual em ambos os sexos. É um pouco mais evidente nos homens já que se espera que sejam mais competitivos e durões. Mas esse comportamento pode ser igualmente frustrante para os maridos de mulheres cristãs passivas. O lado bom é que as mulheres, tipicamente, são mais inclinadas a procurar ajuda e mais capazes de falar a respeito das suas emoções e problemas.

Independente de gênero, é impressionante o que acontece quando colocamos esse medo enganoso e debilitante na luz: ele perde o seu poder sobre nós. E, com a ajuda de Deus, passamos a ser capacitados para uma vida melhor, mais livre, mais abundante nele.

 Publicado na revista “Today’s Christian Woman” – Março/Abril 2006 (do grupo “Christianity Today”, http://www.christianitytoday.com).

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