Como controlar as preocupações, baseado em São Mateus

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por Morten » 11 Out 2012, 15:20
Esse tópico é bem grandinho e está relacionado ao engrandecimento pessoal. Espero que seja útil para quem tiver paciência de ler até o fim.

Todo mundo diz buscar o desenvolvimento pessoal. E eu tenho percebido que a ideia geral que muita gente tem a respeito do desenvolvimento pessoal é ficar sarado, estudar para ter uma boa condição financeira, ostentar, ser bem resolvido com mulheres entre várias outras coisas. Até aí, eu não vejo mal algum mesmo. É natural e todo mundo tem o direito de querer usufruir as coisas boas que o mundo oferece.Só que na minha opinião, não podemos esquecer de que para conseguir o desenvolvimento pessoal precisamos também crescer espiritualmente e buscar a sabedoria para ter uma mente saudável. Essa talvez seja até a parte mais importante do desenvolvimento pessoal.

Antes de tudo, é bom dizer que a sabedoria dificilmente vai ajudar alguém a ficar descolado ou a pegar um monte de gostosas. Mas o que ela faz por nós é muito melhor do que isso. A sabedoria deixa o cidadão safo para se sair da melhor maneira possível em qualquer situação difícil que a vida o coloque.

Enfim, sem mais rodeios,  a ideia central era de que nunca vamos acabar com as nossas preocupações. É impossível viver sem problemas e preocupações. Paz eterna só vamos ter debaixo de sete palmos de terra. Mas isso não quer dizer que temos que deixar os nossos problemas e as nossas preocupações nos dominar a ponto de esgotar toda nossa energia. Se não podemos eliminar as preocupações, podemos ao menos controlar com sabedoria.

Para ajudar nisso podemos sim recorrer a Bíblia, mais especificamente no Evangelho de São Mateus, capítulo 6 do versículo 25 ao 34. Para quem não sabe, esse trecho fala sobre preocupações excessivas e está contido no Sermão da Montanha, que foi um discurso muito viril de Jesus Cristo. São reflexões que me ajudaram muito e espero que também seja útil para o desenvolvimento de alguém.

Mateus 6,25-30 escreveu:25 Por isso é que Eu vos digo: não fiqueis preocupados com a vida, com o que comer; nem com o corpo, com o que vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento? E o corpo não vale mais do que o vestuário? 26 Olhai os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem juntam em armazéns. No entanto, o Pai que está no céu alimenta-os. Será que não valeis mais do que os pássaros? 27 Quem de vós pode crescer um só centímetro, à custa de se preocupar com isso? 28 E porque vos preocupais com o vestuário? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29 Porém, Eu digo-vos: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30 Ora, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no fogo, muito mais Ele fará por vós, gente de pouca fé!

Primeiramente, é sempre bom lembrar que o contexto daquela época não era o mesmo de hoje. Naquela época, a grande preocupação do cidadão era ter o que comer e ter com o que se vestir. Hoje muitos de nós podemos até nos dar o luxo de comer o que quiser, na hora que quiser e ainda ter a certeza de que não vamos andar pelados por aí. O que era o anseio e a grande preocupação no tempo de Jesus é banal para nós.

A mensagem de Jesus fica até mais fácil de entender se eu substituir o alimento e as vestes por dinheiro, aluguel, morar na Zona Sul do Rio, prestações, carro zero, moto envenenada, abdômen tanquinho, pegar muita mulher, emprego garantido, carreira promissora, casamento, escola e faculdade dos filhos e mais várias outras coisas. Basicamente, esses são alguns dos grandes anseios e preocupações de um homem qualquer. Pelo menos são os de um carioca comum.

Mas qual seria o sentido da mensagem de Cristo quando ele diz para não se preocupar com o alimento ou com as vestes? No meu entendimento, ele quis passar que a nossa vida vale muito mais do que qualquer uma de nossas preocupações nesse mundo. Nossa vida vale mais do que o alimento e do que as nossas vestes. E a vida é o que nós temos de mais importante. Não é deixando que a preocupação tome conta dos pensamentos que as coisas irão resolver. Isso não é um incentivo a irresponsabilidade e sim uma filosofia de vida para não deixar que as preocupações nos engula a ponto de esgotar todas as nossas energias.

As vezes eu me vejo preocupado e chateado porque ainda não consegui certas coisas que eu quero muito. Mas logo lembro desse capítulo do Sermão da Montanha e me acalmo porque vejo o quanto já eu tenho. Se eu não tenho tudo que eu quero ainda, pelo menos eu ainda tenho uma família que me acolhe. Se eu não tivesse uma família ajustada, pelo menos eu ainda teria o que comer e uma cama para dormir. Se até isso não me fosse abundante, pelo menos eu ainda teria a minha saúde e a minha vida. Enquanto o meu corpo estiver vivo, poderei encontrar caminhos para tentar viver bem, independente do que me acontecer. E é isso que eu acho que uma pessoa não pode deixar escapar.

Certa vez me ensinaram uma coisa que eu nunca mais esqueci. Me disseram que diante de uma preocupação era sempre necessário ter em mente basicamente dois passos.

O primeiro era se perguntar se o problema realmente é tão grande para merecer tanta atenção e consumir tanta energia. Vale a pena se preocupar tanto pelo que te aflige no momento? É realmente necessário e merece tanto a tua atenção? Vale a pena, por exemplo, se preocupar tanto por uma mulher que não te deu bola ou porque você ainda não tem dinheiro para comprar o que gostaria?

O segundo passo seria criar uma escala de valores e estabelecer prioridades. É irracional, por exemplo, se preocupar tanto ou mais em ter um carro zero para impressionar mulher, ou viver para ganhar dinheiro ou morar na Barra da Tijuca do que se preocupar com a saúde e educação de um filho ou com a própria saúde. Não dá para colocar preocupações sérias em pé de igualdade com preocupações mais banais. Cada preocupação com a sua prioridade.

Mateus 6,31-34 escreveu:31 Portanto, não fiqueis preocupados, dizendo: Que vamos comer? Que vamos beber? Que vamos vestir? 32 Os pagãos é que procuram essas coisas. O vosso Pai, que está no Céu, sabe que precisais de tudo isso. 33 Pelo contrário, em primeiro lugar buscai o Reino de Deus e a sua justiça, e Deus vos dará, em acréscimo, todas essas coisas. 34 Portanto, não vos preocupeis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã terá as suas preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade.

É sempre bom lembrar que o significado de “não se preocupar” não é sinônimo de largar de mão e ser imprudente. É questão apenas de se controlar. Eu até acredito que Jesus reforçou a mensagem citada de Eclesiástico (Eclo 2,4-5) no tópico anterior.

As preocupações, o sofrimento e as dificuldades sempre chegarão porque fazem parte da vida mesmo. O melhor a se fazer talvez seja aceitar o que acontecer, agradecer pelos ganhos, se resignar pelas perdas, entender que isso faz parte da nossa jornada, permanecer firme, tentar nos controlar diante das preocupações e estabelecer prioridades. Difícil, não é? E realmente não é fácil, mas também não é impossível. Dá para tentar ao menos encontrar um meio termo e viver bem apesar de tudo.

O importante é não deixar as preocupações nos engolir a ponto de perder a fé no futuro e a graça de viver. Se isso acontecer, aí já era. Só Deus para ter misericórdia dessa pessoa. O que é uma pena porque ela vai estar desistindo da chance de se superar e do que realmente é importante: a vida. É mais triste ainda quando se trata de pessoas que têm algum conforto material, saúde perfeita e suporte. Se eu for pedir alguma coisa para Deus, não acho certo pedir para que Ele acabe com os meus problemas. Prefiro pedir sabedoria e força para suportar os desafios da vida e assim viver bem.

Talvez, nada do que foi escrito tenha sentido algum para alguém que acredite que somos moléculas unidas aleatoriamente. Mas para quem acredita que a vida é um bem preciso dotado de significado eterno e que o seu sentido não é uma existência vã ou uma existência só de sofrimento, ler esse trecho do Evangelho de São Mateus é reconfortante. Talvez esse seja o pilar da nossa fé. Seguir de cabeça erguida e se manter firme em comunhão com Deus mesmo quando tudo está para cair.

A grande lição que eu tiro disso é confiar que tudo pode ser melhor, mesmo quando as coisas não vão bem. E não é deixando que a preocupação domine os pensamentos que as coisas melhoram. O importante é que ainda temos a nossa vida. O resto, são acréscimos e aleluia pelo que vier e aleluia pelo que se for. Sem se esquecer que cada dificuldade com o seu tempo e com a sua prioridade.

Daria até para escrever um tratado sobre os ensinamentos desse trecho do Sermão da Montanha. É claro que cada preocupação tem o seu peso. Umas são mais difíceis de controlar do que outras. Mesmo tendo fé, eu mesmo não tenho certeza se eu teria força para seguir em frente diante de alguma situação muito extrema. Mas sei que muitas coisas que tiram o nosso sono não precisam matar a nossa esperança. Vou ser vigilante para sempre colocar esses ensinamentos em prática, mas se um dia acontecer de eu fraquejar, espero ter feito o meu máximo antes e ser digno da misericórdia de Deus. Ninguém vai perder nada se tentar.

Por enquanto é isso…

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