Jesus Cristo existiu realmente

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Neste texto iremos provar historicamente que Jesus Cristo foi uma pessoa real, e não um mito ou uma estória inventada como querem nos convencer os ateístas e anticristãos.

ELE não era rico nem tinha influência política. Também não tinha um lugar para morar. Mas o que ele ensinou influencia a vida de milhões de pessoas. Será que Jesus realmente existiu? O que historiadores e pessoas de destaque, no passado e no presente, disseram sobre a existência de Jesus?
 
Michael Grant, historiador e especialista no estudo de civilizações antigas, escreveu: “Devemos usar para o Novo Testamento o mesmo critério que usamos para outros escritos antigos que contêm informações históricas. Se fizermos isso, teremos de aceitar que Jesus realmente existiu. Se rejeitamos a existência de Jesus, então podemos rejeitar também a existência de vários personagens históricos pagãos que ninguém duvida que existiram.”
 
Rudolf Bultmann, professor universitário de estudos do Novo Testamento, declarou: “A dúvida quanto à existência de Jesus não tem base nem merece ser contestada. Ninguém em sã consciência pode duvidar que Jesus foi o fundador [do cristianismo].”
 
Will Durant, historiador, escritor e filósofo, escreveu: “Seria um milagre ainda mais incrível [do que qualquer milagre registrado nos Evangelhos] que apenas em uma geração uns tantos homens simples…inventassem uma personalidade tão poderosa e atraente como a de Jesus, uma moral tão elevada e uma tão inspiradora ideia da fraternidade humana.”
 
Albert Einstein, físico nascido na Alemanha, disse: “Sou judeu, mas fico encantado com a figura luminosa do Nazareno.” Numa ocasião, perguntaram a ele se acreditava que Jesus tinha existido de verdade. Ele respondeu: “Sem dúvida! Ninguém consegue ler o Evangelho sem sentir a Presença real de Jesus. A personalidade dele pulsa em cada palavra. Nenhum mito tem tanta vida assim.”
 
O QUE A HISTÓRIA REVELA
 
O registro mais detalhado da vida e do ministério de Jesus está nos quatro livros bíblicos conhecidos como Evangelhos, que foram escritos por Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas várias outras obras antigas e não cristãs citam o nome de Jesus. 
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TÁCITO (Cerca de 56-120 d.C.) Cornélio Tácito é reconhecido pela história como governador da Ásia e historiador. Robert E. Van Voorst o considera como o maior historiador Romano, embora não se saiba muito sobre sua família, cidade de nascimento e ocasião da morte. (VOORST, Robert E. Jesus outside the New Testament: An introduction to the ancient evidence. Eedermnans, 2000, pp.39). Ele escreveu um livro chamado Histórias no qual trata dos eventos e acontecimentos romanos entre 69-96dC, e é fonte de muitos dos acontecimentos de Galba, Otho, Vitélio, Vespasiano, Tito e Domiciniano. Esse livro teria sido escrito em 20 diferentes volumes dos quais apenas os quatro primeiros sobreviveram juntamente com fragmentos do quinto volume.
 
Seu trabalho que nos chama a atenção é chamado Anais, seu último e incompleto trabalho de registro histórico. Originalmente esse livro foi escrito em trinta diferentes livros, e embora tenha sido escrito após o livro Histórias, trata de assuntos históricos anteriores a ele.
 
Pouquíssimas cópias desse livro subsistiram até nossos dias, sendo que uma cópia encontra-se no monastério beneditino da Abadia de Corvey e uma segunda cópia encontra-se em outro mosteiro beneditino em Monte Cassino.
 
Nesse mesmo livro encontramos uma citação interessante de Tácito sobre os cristãos:
 
“Mas nem todo o socorro que um pessoa poderia ter prestado, nem todas as recompensas que um príncipe poderia ter dado, nem todos os sacrifícios que puderam ser feitos aos deuses, permitiram que Nero se visse livre da infâmia da suspeita de ter ordenado o grande incêndio, o incêndio de Roma. De modo que, para acabar com os rumores, acusou falsamente as pessoas comumente chamadas de cristãs, que eram odiadas por suas atrocidades, e as puniu com as mais terríveis torturas. Christus, o que deu origem ao nome cristão, foi condenado à extrema punição [i.e crucificação] por Pôncio Pilatos, durante o reinado de Tibério; mas, reprimida por algum tempo, a superstição perniciosa irrompeu novamente, não apenas em toda a Judéia, onde o problema teve início, mas também em toda a cidade de Roma” – (TACITUS, Cornelius, Annales ab excesso div August. Charles Dennis Fisher, Clarendon Press, Oxford, 1906)
 
Dois detalhes são importantes de serem reconhecidos: 
 
(1) o termo que Tácito usa para se referir aos cristãos, provavelmente foi mal escrito, pois em latim o texto traz a expressão “chrestianos” e que posteriormente tenha sido alterado para “cristianos”, ou seja cristãos. 
 
(2) O nome Christus é foi vertido em latim apenas para demonstrar que Tácito tinha uma informação clara sobre o grupo de cristãos, sobre quem escrevia.
 
Como acontece com todas as referências históricas diretas a respeito de Cristo, os críticos questionam a autenticidade dessa citação, afinal, é por demais similar as informações que encontramos nos evangelho canônicos. Voorst atesta alguns trabalhos críticos sobre o texto de Tácito, que questionam a veracidade dessa expressão: P. Corneli Tacit, Annalim Libri de F. Romer; Cornelios Tacitus, Annales de K. Wellesley e Tacite, Annales livres de P Wuilleumier. Entre as declarações encontramos a afirmação de que existe um problema textual na descrição da morte que Jesus sofreu, se foi apenas uma condenação, ou se foi crucificação. O texto de Charles Dennis Fisher que usamos aqui, expressa apenas a punição extrema, o que sugere a condenação à morte romana, que normalmente seria por crucificação, entretanto, é possível que o próprio termo não tenha sido empregado por Tácito, como procuramos demonstrar acima.
Entretanto, independente desse problema textual, o conceito claro da morte de Cristo por Pilatos no período de Tibério ainda é compatível com a descrição das escrituras. Vale a pena ainda ser lembrado que ele se refere a Cristo como um nome pessoal, o que confirma a tendência iniciada no Novo Testamento de referir-se a Jesus Cristo, por Cristo.
 
É ainda importante demonstrar que na visão de Tácito, Cristo é o originador de um grupo de pessoas chamadas cristãos, ou seja, Ele é o fundador do movimento religioso que leva o seu nome. Mais uma declaração compatível com aquilo que conhecemos nas escrituras.
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SUETÔNIO (Cerca de 69–depois de 122 d.C.) Esse historiador romano registrou eventos que ocorreram durante os governos de vários imperadores romanos. Ao falar do imperador Cláudio, Suetônio mencionou conflitos que ocorreram entre os judeus em Roma, provavelmente causados por discussões a respeito de Jesus.  (Atos 18:2) Ele escreveu que os judeus que causavam tumultos “por incitamento de Cresto [Cristo, nota], foram expulsos de Roma por ele [Cláudio]”. (A Vida dos Doze Césares, Editora Martin Claret: 2005, p. 263.) Suetônio estava errado ao afirmar que Jesus estava provocando tumultos, mas ele não negou que Jesus existia.
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PLÍNIO, O JOVEM (Cerca de 61-113 d.C.) Gaio Cecílio era filho de Lúcio Cecílio Cilo e nasceu em Novum Comum por volta do ano 61 dC. Sua mãe, Plínia Marcella era irmã de escritor e famoso enciclopedista Plínio, o Velho, a quem e Gaio a tal ponto admirava que sobre ele escreveu no livro conhecido como Naturalis Historia. Como seu pai morreu quando era jovem, Gaio possivelmente tenha vivido boa parte de sua infância e juventude com sua mãe.
A princípio fora educado em casa, mas posteriormente foi a Roma onde dedicou-se à retorica. Nesse período, aproximou-se de seu tio Plínio, que veio a falecer em função da erupção do vulcão Vesúvio. Com isso, descobriu que seu tio havia deixado suas posses com ele e que teria sido adotado pelo mesmo, o que fez com que mudasse seu nome para Gaio Plínio Cecílio Segundo, nome que deu origem à referência histórica que normalmente se atribui a ele: Plínio o Jovem.
Plínio é reconhecido como governador da Bitínia, na Ásia Menor (112 dC) no período do Imperador Trajano, embora tenha sido senador e proeminente advogado em Roma (VOORST, Robert E. Jesus outside the New Testament: An introduction to the ancient evidence. Eedermnans, 2000, pp.23). Sua fama foi assegurada por sua relação com o Imperador Trajano, a quem escreveu diversas cartas, das quais muitas sobrevivem até os dias de hoje. Sua escrita, muito precisa e elogiável, fez com que, segundo Voorst, Plínio carregasse a fama de ter inventado o estilo literário da carta. Habermas, por sua vez, cita F.F. Bruce o apresenta como “o maior escritor de cartas do mundo” e que suas cartas “ganharam o status de literatura clássica” 
(HABERMAS, Gary, Historical Jesus, College Press, 1996; pp.198).
 
Dos dez livros de cartas que se conhecem de Plínio, é apenas no décimo livro, mais precisamente na carta 96 é que encontramos algo sobre o cristianismo primitivo e Cristo. Como supõe-se que essas cartas tenha sido organizadas cronologicamente, essa declaração é normalmente definida por volta de 112 dC.
 
Nessa carta ele fala sobre o rápido crescimento do Cristianismo na província da Bitínia, seja nas regiões urbanas ou rurais. Ele descreve a situação com templos romanos (pagãos) abandonados de tal forma que o “negócio daqueles que vendiam forragens para os animais sacrificiais fora afetado” (BARNETT, Paul, Finding the historical Jesus, Eedermans, 2009, pp.60). Ele também afirma ter interrogado aqueles que haviam sido acusado de serem cristãos e sentenciados a morte por isso, para verificar se insistiam em sua afirmação de serem de fato cristãos, como ele mesmo afirma, observe:
 
“Esta foi a regra que eu segui diante dos que me foram deferidos como cristãos: perguntei a eles mesmos se eram cristãos; aos que respondiam afirmativamente, repeti uma segunda e uma terceira vez a pergunta, ameaçando-os com o suplício. Os que persistiram mandei executá-los pois eu não duvidava que, seja qual for a culpa, a teimosia e a obstinação inflexível deveriam ser punidas. Outros, cidadãos romanos portadores da mesma loucura, pus no rol dos que devem ser enviados a Roma” – (BOYLE, John Cork, ORRERY, The letters of Pliny the Younger: with observations on each letter, VOL.2, pp.426)
Plínio também fala de pessoas que haviam sido acusadas de serem cristãs, mas que assumiam que na verdade não eram, e a prova era adorar a imagem do Imperador bem como os deuses imperiais. Também exigia que esses acusados amaldiçoassem a Cristo, coisa que um cristão genuíno não seria capaz de fazer. Sobre esses “supostos” cristãos, Plínio atesta:
 
“Todos estes adoraram a tua imagem e as estátuas dos deuses e amaldiçoaram a Cristo, porém, afirmaram que a culpa deles, ou o erro, não passava do costume de se reunirem num dia fixo, antes do nascer do sol, para cantar um hino a Cristo como a um deus; de obrigarem-se, por juramento, a não cometer crimes, roubos, latrocínios e adultérios, a não faltar com a palavra dada e não negar um depósito exigido na justiça. Findos estes ritos, tinham o costume de se separarem e de se reunirem novamente para uma refeição comum e inocente, sendo que tinham renunciado à esta prática após a publicação de um edito teu onde, segundo as tuas ordens, se proibiam as associações secretas” (BOYLE, John Cork, ORRERY, The letters of Pliny the Younger: with observations on each letter, VOL.2, pp.427)
 
Plínio também fala sobre sobre duas escravas que eram consideradas “ministras”, nas quais não encontrou “nada além de uma superstição irracional e sem medida”. E em função disso suspendeu o inquérito pois precisava de um parecer específico de Trajano, como ele mesmo confessa:
 
“O assunto parece-me merecer a tua opinião, principalmente por causa do grande número de acusados. Há uma multidão de todas as idades, de todas as condições e dos dois sexos, que estão ou estarão em perigo, não apenas nas cidades mas também nas aldeias e campos onde se espalha o contágio dessa superstição; contudo, creio ser possível contê-la e exterminá-la” (BOYLE, John Cork, ORRERY,The letters of Pliny the Younger: with observations on each letter, VOL.2, pp.427-8)
 
Nas colocações de Plínio sobre o cristianismo primitivo em termos muito parecidos com os encontrados nos escritos de Tácito e Suetônio: para ele o cristianismo também era uma “superstição” “contagiante” que tinha condições de corromper o proceder romano. A autenticidade das cartas de Plínio não são contestadas, e portanto nelas encontramos mais um relato histórico sobre a historicidade de Cristo, e sobre ela Habermas conclui:
 
“(1) Cristo era adorado como Deus pelos antigos cristãos; (2) Plínio se refere posteriormente em sua cara que os ensinos de Cristo e seus seguidores eram excessivamente supersticiosos e contagiosos, como termo reminiscência de ambos, Tácito e Suetônio; (3) Os ensinos éticos de Cristo eram refletidos nos juramentos dos cristãos jamais seriam culpados pelos pecados mencionados nessa carta; (4) Provavelmente encontramos uma referência a instituição de Cristo da comunhão cristã celebrada na festa do amor, nas declarações de Plínio sobre a reunião deles para compartilhar comida. A referência aqui alude a acusação por parte dos não cristãos que os cristãos eram suspeitos de um ritual assassino e beber o sangue durante esses encontros, o que confirma nosso ponto de vista que a comunhão é o assunto a que Plínio se refere; (5) Há também uma possível referência ao Domingo na declaração de Plínio que os cristãos se encontravam em um dia específico” (HABERMAS, Gary, Historical Jesus, College Press, 1996; pp.199-200)
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FLÁVIO JOSEFO (Cerca de 37-100 d.C.) Flávio Josefo é considerado como um dos maiores historiadores judeus de sua época, e além de escrever sobre a História dos Judeus e suas guerras, também escreveu sua autobiografia, na qual se descreve como filho de Matias o sacerdote judaico, nascido em Jerusalém, instruído pela torá e adepto do farisaísmo (JOSEFO, Flávio, História dos Judeus – CPAD, 2000, pp.476-495). O seu testemunho é importante, pois é provavelmente o único relato sobrevivente de uma testemunha ocular da destruição de Jerusalém.
 
No seu livro Antiguidade dos Judeus, que é normalmente datado na década de 90dC tem duas citações interessantes. A primeira faz clara referência a Tiago “irmão de Jesus chamado Cristo” (GEISLER, Norman, Não tenho fé suficiente para ser ateu – Vida, 2006, pp.227), veja:
 
“Anano, um dos que nós falamos agora, era homem ousado e empreender, da seita dos saduceus, que, como dissemos, são os mais severos de todos os judeus e os mais rigorosos no julgamento. Ele aproveitou o tempo da morte de Festo, e Albino ainda não havia chegado, para reunir um conselho diante do qual fez comparecer Tiago, irmão de Jesus chamado Cristo, e alguns outros; acusou-os de terem desobedecido às leis e os condenou ao apedrejamento. Esse ato desagradou muito a todos os habitantes de Jerusalém, que eram piedosos e tinham verdadeiro amor pela observância das nossas leis” – (JOSEFO, Flavio, História dos Judeus – CPAD, 2000, pp.465)
 
Dois fatos são interessantes nessa citação: (1) Confirma uma clara declaração das escrituras: Jesus tinha um irmão chamado Tiago (Gl.1.19); (2) Ele era reconhecido como Cristo, outra afirmação clara das escrituras (Mt.16.16).
 
A segunda declaração de Josefo a respeito de Jesus é ainda mais explícita e por isso, muito controversa. Pouco antes da declaração supracitada, ele também afirma:
 
“Nesse mesmo tempo apareceu Jesus, que era um homem sábio, se todavia devemos considera-lo simplesmente como um homem, tanto suas obras eram admiráveis. Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios. Ele era o Cristo. Os mais ilustres da nossa nação acusaram-no perante Pilatos e ele fê-lo crucificar. Os que o haviam amado durante a vida não o abandonaram depois da morte. Ele lhes apareceu ressuscitado e vivo no terceiro dia, como os santos profetas o tinham predito e que ele faria muitos outros milagres. É dele que os cristãos, que vemos ainda hoje, tiraram seu nome” – (JOSEFO, Flávio, História dos Judeus – CPAD, 2000, pp.418)
 
Essa citação tem sido criticada como sendo impossível de ter sido proferida por um judeu-romano escrevendo sobre a história dos judeus. Normalmente apela-se par ao fato de que o texto acima é fruto de uma corrupção cristão tardia, especialmente pelo fato de que Orígenes (185-253dC) atesta que Josefo não aceitava a Messianidade de Jesus. Entretanto, essa declaração não é inteiramente verdadeira, observe a declaração de Orígenes:
 
“Tamanha era a reputação de Tiago entre as pessoas consideradas justas, que Flávio Josefo, que escreveu Antiguidade dos Judeus em vinte livros, quando ansiava por apresentar a causa pela qual o povo teria sofrido grandes infortúnios que até mesmo o tempo fora destruído, afirma que essas coisas aconteceram com eles de acordo com a Ira de Deus em consequência das coisas que eles se atreveram a fazer contra Tiago o irmão de Jesus que é chamado Cristo. E o que é fantástico nisso é que, apesar de não aceitar Jesus como Cristo, ele deu testemunho da justiça de Tiago” – (Orígenes,Origen’s Commentarary on Matthew, IN: ROBERTS, Alexander, DONALDSON, James, Ante-Nicene Fathers, VOL 9, pp.424)
 
Considerando o fato de que Orígenes atesta que Josefo o chama de Cristo (como vimos que o faz quando fala sobre Tiago), embora não o considerasse como tal, não é impossível que a citação seja de fato verdadeira. Porém, devemos reconhecer que algumas das declarações desse texto atribuído a Josefo parecem por demais cristãs para serem de um fariseu, e entendemos que não é à toa que tenha sido considerada uma interpolação.
 
Edwin Yamauchi, professor emérito de história na Universidade de Miami, comenta essa citação de Josefo e explica que é possível perceber onde estão as interpolações, ou supostas alterações cristãs tardias. Ele argumenta que era incomum para um cristão referir-se a Jesus Cristo apenas como um homem sábio, o que sugere que o texto nesse caso é de Josefo. Por outro lado, parece improvável que um judeu sugeriria que ele não era simplesmente um homem. Nesse caso, Yamauchi atesta que esse é um possível caso de interpolação cristã tardia. Sobre a expressão “Ele ensinava os que tinham prazer em ser instruídos na verdade e foi seguido não somente por muitos judeus, mas mesmo por muitos gentios”, Yamauchi defende que está em conformidade com o estilo e vocabulário de Josefo, mas a conclusão “Ele era o Cristo” parece direta demais para um judeu (STROBEL, Lee, Em defesa de Cristo, Vida, 1998, 104).
 
Contudo, ainda que tal citação de Josefo possa ser tomada com algumas ressalvas, é importante lembrar que uma versão árabe do texto de Josefo no mesmo trecho, que embora tenha as partes mais criticadas ausentes, apresenta aspectos interessantes sobre Cristo, observe:
 
“Nessa época havia um homem sábio chamado Jesus. Seu comportamento era bom, e sabe-se que era uma pessoa de virtudes. Muitos dentre os judeus e de outras nações tornaram-se seus discípulos. Pilatos condenou-o à cruficicação e à morte. E aqueles que haviam sido seus discípulos não deixaram de seguí-lo. Eles relataram que ele lhes havia aparecido três dias depois da crucificação e que ele estava vivo […] talvez ele fosse o Messias, sobre o qual os profetas relatavam maravilhas” – (GEISLER, Norman, Enciclopédia de Apologética – Vida 2002, pp.449)
 
Após apresentar essa versão do texto de Josefo, em outro livro Geisler explica sua preferência por essa leitura:
 
“Existe uma versão dessa citação na qual Josefo afirma que Jesus era o Messias, mas a maioria dos estudiosos acredita que os cristãos mudaram a citação para que fosse lida dessa maneira. De acordo com Orígenes, em dos pais da igreja nascido no século II, Josefo não era cristãos. Desse modo, é improvável que ele pudesse afirmar que Jesus era o Messias. A versão que citamos aqui vem de um texto árabe que, acredita-se, não foi corrompido” – (GEISLER, Norman, Não tenho fé suficiente para ser ateu – Vida, 2006, pp.227)
 
Diante dessas informações, devemos ainda lembrar os leitores que a credibilidade de Josefo como historiador já foi colocada a prova diversas vezes. Em um provocativo livro chamado Jesus e Javé, o judeu ateu Harold Bloom logo de início apresenta sua visão acerca de Cristo e Josefo:
 
“Não há fatos comprovados acerca de Jesus de Nazaré. Os poucos fatos que constam na obra de Flávio Josefo, fonte da qual todos os estudiosos dependem, são suspeitos, pois o historiador era José bem Matias, um dos líderes da Rebelião Judaica, que salvou a própria pele por ter bajulado os imperadores da Dinastia Flaviana: Vespasiano, Tito e Domício. Depois que um indivíduo proclama Vespasiano como Messias, ninguém deve mais acreditar no que tal pessoa escreve a respeito do seu povo. Josefo, mentiroso inveterado, assistiu, tranquilamente à captura de Jerusalém, à destruição do Templo e à matança dos habitantes” – (BLOOM, Harold, Jesus e Javé, os nomes divinos –Objetiva, 2006, pp.31)
 
Nesse momento temos que fazer uma importante pergunta: “O que ganharia esse judeu traidor nacional em mencionar a figura de Jesus?”. Considerando o fato de que era financiado por Roma, era de se esperar que sua visão pudesse ter sido comprada pelos romanos e sua história tenha cedido em alguns lugares à tentação de ser conscientemente impreciso o que o levou a ganhar a fama de mentiroso inveterado.
 
Contudo, aos olhos de Roma, essa nova “religião” tinha claras tendências de ser facciosa ao Império em função do seu estranho conjunto de doutrinas e sua objetiva recusa de adorar ou a César ou aos deuses romanos. Com isso, era de se esperar que ele suprimisse qualquer evento, fato ou personagem que pudesse o colocar em oposição com seus patrocinadores.
 
Portanto, é evidente que não haveria qualquer ganho para Josefo em apresentar a pessoa de Jesus, e talvez, por essa mesma razão, é que ele tenha escrito tão pouco a seu respeito. 
lucianus 
Luciano de Samosata (125 – 181 d.C)
Luciano de Samosata foi um satirista grego, que costumava satirizar e criticar duramente os costumes e a sociedade da época. Em uma de suas obras, conhecida como A Passagem do Peregrino, ele zomba de Cristo e dos cristãos:
“Foi então que ele [Proteus] conheceu a maravilhosa doutrina dos cristãos, associando-se a seus sacerdotes e escribas na Palestina. (…) E o consideraram como protetor e o tiveram como legislador, logo abaixo do outro [legislador], aquele que eles ainda adoram, o homem que foi crucificado na Palestina por dar origem a este culto (…) Os pobres infelizes estão totalmente convencidos que eles serão imortais e terão a vida eterna, desta forma eles desprezam a morte e voluntariamente se dão ao aprisionamento; a maior parte deles. Além disso, seu primeiro legislador os convenceu de que eram todos irmãos, uma que vez que eles haviam transgredido, negando os deuses gregos, e adoram o sofista crucificado vivendo sob suas leis[11]
Luciano diz que Peregrino (100 – 165 d.C), após ter fugido de sua cidade natal por causa de uma acusação de assassinato, se uniu aos cristãos e logo se tornou um profeta, presbítero e chefe de sinagoga. Na Palestina, ele é preso e lá recebe o cuidado de seus amigos cristãos, que, de acordo com Luciano, “tudo fizeram para livrá-lo, mas como isso não foi possível, dispensaram assistência constante para com ele”[12].
Luciano também afirma em “A Morte do Peregrino”:
“Os cristãos, vocês sabem, adoram um homem neste dia – a distinta personagem que lhes apresentou suas cerimônias, e foi crucificado por esta razão”
Isso indica que, naquela época, já era bem conhecido o fato de que os cristãos cultuavam ao “homem crucificado”, o que nos mostra que já existia culto cristão em andamento já no primeiro e segundo século, fato este confirmado por fontes históricas cristãs e não-cristãs, sendo, portanto, inócuo crer que Jesus seja um “mito”, uma vez que não se cria um “mito” em tão pouco tempo.
Os ateus em sua incredulidade alegam (sem inteiramente prova nenhuma) que o “mito” Jesus nasceu no quarto século, contrariando todas as provas históricas cristãs e não-cristãs que provam não somente a existência de Cristo por pessoas do primeiro e segundo século, como também do próprio culto cristão primitivo já em vigor neste período.
Luciano de Samosata também fala de um certo “profeta” de Asclepius, no Ponto, fazendo uso de uma cobra domesticada. Quando os rumores estavam por desmascarar sua fraude, ele diz de forma sarcástica:
“Ele promulgou um edito com o objetivo de assustá-los, dizendo que o Ponto estava cheio de ateus e cristãos que tinham a audácia de pronunciar os mais vis perjúrios sobre ele; a estes, ele os expulsaria com pedras, se quisessem ter seu deus gracioso”
A existência dos cristãos, seguidores de Jesus Cristo, ainda no segundo século, é uma prova irrefutável contra aqueles que pregam que Jesus é um mito histórico. Isso porque, se Cristo fosse um mito, precisaria de muito mais tempo para ser desenvolvido. Os céticos ateus que questionam a existência do Jesus histórico apelam que Cristo é uma invenção do terceiro ou quarto século e, portanto, não poderiam existir cristãos (seguidores de Cristo) já no início do segundo século. Sendo assim, mesmo entre aqueles que zombavam de Cristo e de seus seguidores, a existência destes era indiscutível.
talmud
 
O TALMUDE – Essa coleção de escritos religiosos judaicos foi produzida entre os anos 200 e 500. Ela deixa claro que até os inimigos de Jesus acreditavam na sua existência. Um trecho do Talmude diz que na “Páscoa Yeshu [Jesus], o Nazareno, foi pendurado”. A história confirma essa informação. (Talmude Babilônico, Sinédrio 43a, Códice de Munique; veja João 19:14-16.) Outra passagem diz: “Que nenhum de nossos filhos ou alunos se envergonhe em público como o Nazareno.” (Talmude Babilônico, Berakoth 17b, nota, Códice de Munique.) “Nazareno” era um título dado a Jesus. — Lucas 18:37. 
 
O Talmude Babilônico se refere a Jesus como “Ben Pandera” e “Jesus ben Pandera”, o que muitos estudiosos afirmam que é um jogo de palavras, pois “pandera” vem da palavra grega “panthenos”, que significa “virgem”. Em outras palavras: estaria chamando Jesus de “o filho da virgem”. O judeu Joseph Klauser afirmou que o nascimento ilegítimo de Jesus era uma ideia corrente entre os judeus. Ademais, o diálogo entre dois judeus registrado no Talmude também fala da existência de Jesus:
 
“Mestre, tu deves ter ouvido uma palavra de minuth (heresia); essa palavra deu-te prazer, e foi por isso que foste preso. Ele (Eliezer) respondeu: Akiba, tu fizeste-me recordar o que se passou. Um dia que eu percorria o mercado de Séforis, encontrei lá um dos discípulos de Jesus de Nazaré; Tiago de Kefar Sehanya era o seu nome. Ele disse-me: está escrito na vossa lei (Deuteronômio 23.18): Não trarás salário de prostituição nem preço de sodomita à casa do Senhor teu Deus por qualquer voto. Que fazer dele? Será permitido usá-lo para construir uma latrina para o Sumo Sacerdote? E eu não respondi nada. Disse-me ele: Jesus de Nazaré ensinou-me isto: o que vem de uma prostituta, volte à prostituta; o que vem de um lugar de imundícies, volte ao lugar de imundícies. Esta palavra agradou-me, e foi por tê-la elogiado que fui preso como Minuth (herege)”
 
Sobre o texto acima, Klausner comenta:
 
“Não resta dúvida de que as palavras ‘um dos discípulos de Jesus de Nazaré’ e ‘assim Jesus de Nazaré me ensinou’ são, nesta passagem, de uma data bem antiga e também são fundamentais no contexto da história relatada”
 
Estas referências no Talmude, assim como outras (como o Sanhedrim 43ª que menciona os discípulos de Jesus), mostram que nem mesmo os judeus que não eram cristãos questionavam a existência histórica de Cristo. Eles sabiam que ele era conhecido por “Jesus de Nazaré”. Eles sabiam que Jesus operava milagres, embora atribuíssem tais atos a “magia” ou “feitiçaria”. Eles sabiam que Jesus foi pendurado numa cruz na véspera da páscoa. Eles sabiam que ele tinha um discípulo chamado Tiago. E eles sabiam que qualquer um que o seguisse seria preso ou morto pelas mesmas razões que Yeshua de Nazaré foi.
 
Apenas com aquilo que possuímos de documentação histórica de autores não-cristãos, podemos seguramente afirmar que Jesus:
 
(1) Foi morto e crucificado, mas os discípulos estavam realmente certos de que ele havia ressuscitado (Josefo)
 
(2) Tinha um irmão chamado Tiago (Josefo)
 
(3) Os seguidores foram feitos objetos de esporte, foram amarrados nos esconderijos de bestas selvagens e feitos em pedaços por cães, ou cravados em cruzes, ou incendiados, e, ao fim do dia, eram queimados para servirem de luz noturna (Tácito)
 
(4) Os cristãos (seus seguidores) foram destinados ao suplício (Suetônio)
 
(5) Os judeus foram expulsos de Roma por causa de Cristo (Suetônio)
 
(6) Introduziu uma nova seita no mundo (Luciano de Samosata)
 
(7) Seus seguidores continuam se reunindo regularmente para lhe prestar culto como a Deus (Plínio)
 
(8) Seus discípulos se recusavam a prestar culto aos deuses romanos (Luciano de Samosata)
 
(9) Seus seguidores se recusavam a amaldiçoá-lo, mesmo sob tortura (Plínio)
 
(10) Eram castigados em caso de não se arrependerem e começassem a adorar os deuses pagãos (Plínio)
 
(13) Morreu crucificado (Josefo)
 
(14) Pregava em Nazaré (Talmude)
 
(15) Foi crucificado na véspera da páscoa (Talmude)
 
(16) Era adorado pelos seus seguidores (Luciano de Samosata)
 
(17) Foi crucificado na Palestina (Luciano de Samosata)
 
(18) Foi chamado de “Cristo” (Josefo)
 
(19) Foi condenado por Pôncio Pilatos no governo de Tibério César (Tácito)
 
(20) Seus discípulos estavam dispostos a morrer por sua crença (Plínio)
 
As evidências para a existência histórica de Cristo são tão esmagadoras que para alguém negar honestamente a existência de Jesus teria que fazer o mesmo com toda a história antiga, já que ele é citado muito mais vezes do que a grande maioria dos outros nomes que conhecemos hoje. Nomes como Sócrates, Pitágoras, Platão, Aristóteles, Alexandre o Grande e Tibério César possuem muito menos documentação histórica da época do que Jesus, e mesmo assim os mais céticos e ateus costumam crer na existência histórica destes personagens.
  
Fontes: 
 
 
OUTRAS REFERÊNCIAS DE LEITURA:
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