A inversão de ideias sobre o estado laico

O argumento de que o estado é laico — e, felizmente, é mesmo! — não deve servir de pretexto para que se persigam as religiões. Um estado laico não significa um estado ateu, que estivesse empenhado em combater as religiões. A sua laicidade é afirmativa, não negativa; ela assegura a livre expressão da religiosidade, em vez de reprimir a todos igualmente. Entendeu a diferença?

Por trás de toda a inversão de Estado laico que ateus militantes tentam propor, está a falta de conhecimento histórico. Acreditam cegamente naquilo que seu professor marxista ensinou no colégio, ou seja, julgam a idade média como ‘idade das trevas’. Ocorre que os valores que sustentam a sociedade ocidental foram originados justamente durante a idade média. Ao contrário do que o professor de história do ensino médio adora tagarelar, não foi uma “idade das trevas”, pelo contrário, foi ali que a sociedade deu passos importantes em seu desenvolvimento (científico, cultural e social). Também foi na idade média que se colocou em prática o estado laico.

O Estado, por ser laico, não tem religião definida, mas seu povo pode ter! É o caso do Brasil. Isso inevitavelmente acaba sendo expresso na própria cultura e tradição. A frase ‘Deus seja louvado’, presente nas cédulas de dinheiro, não faz apologia a nenhuma religião específica. A crença em Deus está presente em diversas religões. A população, em sua maioria, crê em Deus. Isso foi muito bem traduzido na resposta do Banco Central:

O Banco Central, consultado pela Procuradoria, emitiu um parecer jurídico em que diz que, como na cédula não há referência a uma “religião específica”, é “perfeitamente lícito” que a nota mantenha a expressão. “O Estado, por não ser ateu, anticlerical ou antirreligioso, pode legitimamente fazer referência à existência de uma entidade superior, de uma divindade, desde que, assim agindo, não faça alusão a uma específica doutrina religiosa”, diz o parecer do BC.

A intolerância não está no uso da frase no dinheiro, mas na retirada dela. Uma vez que a frase traduz uma realidade brasileira, onde a maioria crê na existência de uma divindade. Isso não significa que há perseguição àqueles que não crêem em uma, afinal, estamos em uma democracia.

Dê ao estado o poder de perseguir símbolos ou alusão religiosas sob esse falso pretexto de estado laico que e não estamos mais falando de democracia, mas de ditadura. Perseguições deste tipo não são novidades. Os regimes mais sangrentos da história e as piores ditaduras da atualidade seguiram este caminho.

Quando os políticos discursam e dizem “graças a Deus” ou “fiquem com Deus” ou “se Deus quiser”, pela lógica distorcida do significado do estado laico, eles estariam tomando posição religiosa em discursos que podem variar de temas. Desde tramites burocráticos até educação. Na verdade, a expressão é cultural, não imposição religiosa. O fato é que a maioria da população brasileira crê em Deus. Nem por isso se quer passar por cima dos que não crêem! O Brasil não é o Irã, justamente por ser laico.

O aumento do controle do estado através do discurso da opressão das minorias é muito bem documentado por Antônio Gramsci. É o método para que se consiga a hegemonia de poder para a instalação de uma ditadura. Só que esse discurso da opressão não condiz com a realidade. A atitude de retirar a frase da nota é uma ação de intolerância em nome da tolerância. É ilógico, só com a modificação da realidade (a propaganda das militâncias fazem esse trabalho) é que se cai neste truque.

Não é à toa que o conceito de estado laico só é possível em uma democracia. Se é permitido ao governo intervir em questões culturais, mesmo que tenha origem religiosa, ou que o mesmo seja impedido de fazer alusão a uma entidade superior, estamos jogando a tolerância e o respeito para o ralo e consequentemente a democracia. É isso que está por trás da estratégia! Há um discurso maquiador de ‘pseudo-justiça’. É a tal igualdade, que por não ser referente aos direitos, contradiz a liberdade.

Quando Diogo Mainardi, que é ateu, disse: “Eu não acredito em Deus, mas acredito na Igreja”, ele quis dizer que não crê em uma divindade, mas acredita nos valores que deram origem à nossa sociedade. Ele é um dos que sabe como o legado da democracia foi conquistado. Portanto está imune ao Poder Invisível teorizado por Gramsci que visa justamente a destruir a democracia fazendo uso da própria democracia!

A verdade é que a falácia do estado laico como forma de censurar a expressão religiosa é apenas um dos campos de atuação do marxismo cultural. Cabe a você escolher se quer ser massa de manobra de um projeto hegemônico que resultará em um regime totalitário ou se prefere lutar para manutenção da democracia e liberdade.

por Major Lobo Realista » 17 jun 2016, 16:03

Fonte: Fórum Homens Realistas

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