Escatologia – parte 1

Escatologia é o estudo das últimas coisas. Considerando que a escatologia  bíblica trata de eventos finais, faremos  uma  caminhada  na   linha   do tempo pontuando a trajetória do homem desde sua criação aos dias de hoje, e, à luz da Palavra Profética, estudaremos os últimos eventos no mundo.

Segundo estudiosos da Palavra Profética, cerca de 25% da revelação Divina são preditivas.

 

MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS

 

Conforme Pentecost (1998, p. 36), a adoção de diferentes métodos de interpretação

das Escrituras produziu diferentes posições escatológicas, portanto, a Escatologia é,

também, uma questão hermenêutica. Por essa razão, o intérprete deve munir-se de

um método preciso de interpretação, pois o livro a ser manejado por ele não é

comum, e sim, a Palavra de Deus.

 

PRINCIPAIS MÉTODOS

 

1) Método Alegórico:  admite interpretação moral ou figurada das Escrituras. Os

defensores   da   alegoria   normalmente   dizem   que   esse   é   o   método   de

“espiritualização” da Bíblia e que ele é o principal método de interpretação.

 

2) Método Literal ou Histórico-gramatical: o sentido literal de uma palavra é o seu

significado   básico,   costumeiro,   social.   Já   o   sentido   espiritual   ou   oculto   de   uma

palavra ou expressão é o que deriva do significado literal e dele depende para sua

existência.   Assim,   esse   método   não   despreza   as   figuras   de   linguagem,   nem

tampouco os símbolos, como muitos dizem.

 

HISTÓRIA DA INTERPRETAÇÃO

 

Segundo os estudiosos da história da hermenêutica essa interpretação começou por

ocasião do retorno de Judá do exílio babilônico, sob a liderança de Esdras, conforme

registrado em Ne 8.1-8. Quando voltaram à sua terra, Esdras teve que explicar ao

povo as Escrituras, pois elas se  tornaram ininteligíveis,  uma  vez que os judeus

substituíram a língua nativa, o hebraico, pela aramaica. É obvio que Esdras expôs o

que estava escrito de forma literal. Na época de Cristo o método de interpretação

entre os judeus certamente era o literal. É certo também que os seus discípulos e

apóstolos usaram o método do Senhor, e não o dos filósofos de seu tempo.

 

A Escola de Alexandria tinha como objetivo unir filosofia e revelação. Clemente de

Alexandria e Orígenes (185-254) forneceram a antítese direta a Tertuliano e a Irineu.

Clemente, crendo na origem divina da filosofia grega, propôs o princípio de que toda

a Escritura deveria ser entendida alegoricamente. Foi nessa escola que Orígenes

desenvolveu o método alegórico. Com a ascensão do eclesiasticismo, Agostinho foi

o primeiro a fazer com que as Escrituras se conformassem à interpretação da Igreja.

 

A  Escola   de  Antioquia   tinha   como   seu   fundador,   Deodoro   de   Tarso   –   homem

consagrado – foi professor de João Crisóstomo e de Teodoro de Mopsuéstia (…-428

d.C.). Foi em Antioquia que os discípulos de Cristo forma chamados cristãos pela

primeira vez (At 11.26). Essa escola, naturalmente, deu continuidade ao emprego do

método literal de interpretação das Escrituras, conforme o fizeram Jesus e seus

discípulos, pois eles não se deixaram levar pelas influências filosóficas de outros

pais da igreja, conforme mencionado acima. Mas, infelizmente, o método alegórico

da  Escola   de Alexandria,  sustentado   pelo ecletismo   da igreja   oficial,  prevaleceu

sobre a Escola de Antioquia.

 

A interpretação de profecias exige atenção  especial em relação às palavras, ao

contexto, à gramática e situações históricas, que são os princípios aceitos a respeito

de qualquer campo de interpretação. “Primeiramente, devemos verificar a posição

histórica do profeta; em seguida, o escopo e plano de seu livro; depois o uso e

significado de suas palavras e símbolos, e, finalmente, devemos proceder a ampla e

crítica   comparação   das   passagens   paralelas   das   Escrituras”   (Terry).  As   regras

propostas por Bernard Ramm são, possivelmente, as mais úteis:

 

1)Verificar os antecedentes históricos dos profetas e da profecia;

2) Descobrir o sentido e o significado especial dos nomes próprios, acontecimentos, referências geográficas, referências aos costumes ou à cultura material e referências à flora e à fauna;

3) Descobrir se o trecho é preditivo   ou   didático;

4)   Se   for   preditivo,   verificar   se   foi   cumprido,   não   cumprido   ou condicional;

5) Descobrir se o mesmo tema ou conceito também é tratado em outro lugar;

6) Como   lembrete,   mantenha   vivo   em   sua   mente   o   fluxo   da   passagem;

7)   Observe   qual elemento da profecia é puramente local e temporal;

8) Tome a interpretação literal da profecia como guia limitador da interpretação profética.

 

Outra regra  encontra-se em   2Pe 1.20-21,  em que o autor afirma  que nenhuma

profecia   provém   de   “particular   elucidação”,   ou   seja,   não   é   o   homem   que,

particularmente, traz luz à profecia, e sim, o Espírito Santo. A profecia deve ser

interpretada   em   harmonia   com   todo   o   plano   profético.   Uma   terceira   regra   é:

“interprete a profecia cristologicamente”, pois o tema central de todas as profecias é

o   Senhor   Jesus   Cristo.  A  quarta   regra   é:   “interprete   historicamente”.   Como   já

mencionado, devemos conhecer o contexto histórico do profeta e da profecia. A

quinta regra é: “interprete gramaticalmente”. A sexta regra é: “interprete de acordo

com a lei da dupla referência”. Muitas vezes uma profecia pode abranger uma visão

próxima   e   outra   distante.   Dessas,   a   visão   próxima   já   pode   ter   sido   cumprida,

enquanto a visão distante espera cumprimento; ou ambas podem estar na esfera de

profecias cumpridas. Dupla referência pode ocorrer com dois acontecimentos de

características   similares   e   ambos   num   futuro   distante.   Uma   última   regra   é:

“interprete coerentemente”. Isso significa que um mesmo método deve ser adotado

do começo ao fim.

 

DISPENSACIONALISMO

 

Vejamos   o   conceito   de   dispensação  fornecido   por   Scofield,   conforme   notas   de

rodapé contidas na Bíblia comentada por ele: “Uma dispensação é um período de

tempo no qual o homem é testado na sua obediência a alguma revelação específica

da vontade de Deus.” Scofield descreve três conceitos implícitos nesta definição.

São eles:

 

1) um depósito de revelação divina quanto à vontade de Deus, incorporando o que Deus

exige quanto à sua conduta;

2) a mordomia do homem desta revelação divina, na qual ele é responsável por obedecer;

3) um período de tempo, geralmente chamado de ‘século’, durante o qual esta revelação divina prevalece testando a obediência do homem a Deus.

 

Esse sistema estabelece sete dispensações. Olson (2001, p. 38-145) agrupou as 7

dispensações em 3 “séculos” (período de tempo), da seguinte forma:

 

1)   O   Século   antediluviano  à  Dispensação   da   Inocência;   Dispensação   da

Consciência;

2)   O   Século   Presente   (Pós-diluviano)  à  Dispensação   do   Governo   Humano;

Dispensação   Patriarcal;   Dispensação   da   Lei;   Dispensação   da   Igreja   (inclui   a

Segunda vinda de Cristo e a Grande Tribulação);

3) O Século Vindouro  à  Dispensação do Governo Divino (o milênio) e o Estado

Eterno.

 

O QUE JESUS REVELA EM MATEUS 13

 

Segundo   a   perspectiva   dispensacionalista,   as   sete   parábolas   desse   capítulo

descrevem o resultado da presença do Evangelho no mundo durante a presente

dispensação   (da   Igreja).   “Por   que   lhes   falas   por   parábolas?,   Perguntaram   os

discípulos. Ao que respondeu: porque a vós outros é dado conhecer os mistérios

do  reino  dos céus,  mas  àqueles não  lhes  é  isso concedido”  (Mt 13.10-11). O

período se estende da ocasião em que Cristo contou as parábolas ao fim deste

século, conforme v. 39-40, ou seja, da semeadura à colheita. Entre a semeadura e a

colheita houve e continua havendo, na esfera da profissão de fé, a mistura do joio e

do trigo, dos peixes bons e maus. Conforme a quarta parábola sobre o reino dos

céus   (Mt   13.33-35),   Jesus   antevê   a   contaminação   da   sã   doutrina   e   revela,

profeticamente, o que ocorreria. Jesus deixa claro que o “fermento” levedaria toda a

massa. O fermento, ao contrário do que muitos pensam, não significa o Evangelho,

e sim, a doutrina dos fariseus e dos saduceus (Mt 16.6,12), bem como toda sorte de

ensinamentos e práticas estranhas ao Evangelho de Cristo, amplamente divulgadas

no meio do povo de Deus. O veneno foi introduzido nos dias de Cristo, continuou

sendo introduzido ao longo dos tempos, especialmente, nessas últimas décadas.

 

Tudo   está   levedado! A  grande   apostasia   está  aí;   a   Babilônia  espiritual   persiste

veementemente;  “fugi  dela  povo  meu”;   lutemos  pela  fé   evangélica  (sã  doutrina,

doutrina de Cristo e dos seus legítimos Apóstolos).

 

O REINO DE DEUS E O REINO DOS CÉUS

 

O Reino de Deus:  é o reino do governo soberano de Deus que se estende da

eternidade   passada   (antes   da   fundação   do   mundo)   até   a   eternidade   vindoura

(estado eterno). Assim, o reino dos céus está contido no reino de Deus.

 

O Reino dos Céus: refere-se ao governo dos céus (de Deus) sobre a terra, a partir

da semeadura (referida acima), incluindo apenas a humanidade. O reino dos céus é

a esfera da profissão de fé (tanto dos nascidos de novo como também dos não

regenerados de quaisquer tipos de confissão).

 

Continua ==>

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